
segunda-feira, 4 de maio de 2009
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Para reflexão...
Lenine
Composição: Lenine e Carlos Rennó
Rebenta na Febem rebelião
um vem com um refém e um facão
a mãe aflita grita logo: não!
e gruda as mãos na grade do portão
aqui no caos total do cu do mundo cão
tal a pobreza, tal a podridão
que assim nosso destino e direção
são um enigma, uma interrogação
Ecos do ão
e, se nos cabe apenas decepção,
colapso, lapso, rapto, corrupção?
e mais desgraça, mais degradação?
concentração, má distribuição?
então a nossa contribuição
não é senão canção, consolação?
não haverá então mais solução?
não, não, não, não, não...
Ecos do ão
pra transcender a densa dimensão
da mágoa imensa então, somente então
passar além da dor da condição
de inferno e céu nossa contradição
nós temos que fazer com precisão
entre projeto e sonho a distinção
para sonhar enfim sem ilusão
o sonho luminoso da razão
Ecos do ão
e se nos cabe só humilhação
impossibilidade de ascensão
um sentimento de desilusão
e fantasias de compensação
e é só ruina, tudo em construção
e a vasta selva, só devastação
não haverá então mais salvação?
não, não, não, não, não...
Ecos do ão
porque não somos só intuição
nem só pé-de-chinelo, pé no chão
nós temos violência e perversão
mas temos o talento e a invenção
desejos de beleza em profusão
ideias na cabeça, coração
a singeleza e a sofisticação
o choro, a bossa, o samba e o violão
Ecos do ão
mas, se nós temos planos, e eles são
o fim da fome e da difamação
por que não pô-los logo em ação?
tal seja agora a inauguração
da nova nossa civilização
tão singular igual ao nosso ão
e sejam belos, livres, luminosos
os nossos sonhos de nação.
Ecos do ão
Ecos do ão
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Um dado, pessoal!
Um dado, pessoal:
Orçamento para educação em 2009 será de R$ 41, 5 bilhões.
Mais um dado, pessoal:
O orçamento oficial para a candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016 prevê gastos da ordem de 29,5 bilhões.
Traduzindo:
A candidatura do Rio às Olimpíadas equivalerá a 71% do que será gasto com EDUCAÇÃO!
Outro dado, pessoal:
Esse valor (Rio-2016) é quase OITO vezes o que foi "investido" para tirar o projeto do Pan-2007 do papel. Quais os frutos colhidos pós-Pan?
Pergunta:
Qual a lógica disso?
Opinião do blog:
Absurdo! Temos outras prioridades a serem resolvidas antes de pensar em se candidatar a um evento dessa magnitude. Sediar então, tá longe...
Entretanto, depois do processo de escolha do Brasil para sediar a Copa-2014, com o senhor presidente da CBF, sendo bajulado pelas nossas autoridades, que dizer?
Esporte e educação estão longe de serem aliados no Brasil, o que já é uma triste constatação. E os dois tem sérios problemas a serem resolvidos antes de se pensar em Copas, Olimpíadas etc no país. Principalmente a educação... prioritariamente a Educação Básica. A porta é pela infância! Mas isso é tema pra outro post...
O que falta? Falta prioridade. E o principal: coerência!
Fontes:
http://www.agrosoft.org.br/agropag/102407.htm
http://oglobo.globo.com/rio/rio2016/mat/2009/02/13/candidatura-do-rio-as-olimpiadas-de-2016-custa-equivalente-oito-pans-754412354.asp
domingo, 4 de janeiro de 2009
Pensamento do dia
Lutar por mais oportunidades para todos é fazer com que mais pessoas tenham condições de sonhar!
...
sábado, 3 de janeiro de 2009
Um pouco de demagogia (sem hipocrisia)
E o Ano Novo chegou. E agora é a melhor hora de falar todas aquelas coisas que a gente fala todo começo de ano.
A gente, porque eu também faço isso. A vida é corrida, falta tempo etc. Será? É, os textos que a gente lê dão a impressão de que o autor é a pessoa mais perfeita do mundo, não é? Haha, o cara fala tantas coisas legais que a gente sonha em ser ele um dia!
Esse ano eu pensei na minha vida. É, foi agora, no final do ano, hehe. Mas pensei. E pensei no que deu de errado. E no que deu certo. Pensa também. Você vai ver que não deu só errado. Sempre dá alguma coisa certo. E aí? Faz o que depois?
O que deu errado, você absorve e vê o que você pode fazer para não fazer igual da próxima vez, isto é, para não errar de novo. O erro serve para isso. Para te ensinar o que não deu para aprender antes de errar. Se você vai errar de novo? Vai. Você não é perfeito. Ninguém é. Mas erra menos. Ou erra de outro jeito, né? Errar igualzinho não vai rolar...
Caiu? Levanta! Sujou? Machucou? Limpa, faz um curativo... Uma hora sara. Às vezes fica cicatriz, pra você lembrar e para te ensinar a fazer diferente da outra vez. Depois de tudo isso tenha certeza que você será uma pessoa melhor, mais experiente, mais vivida etc. O que você quiser que seja.
E o que deu certo? O que deu certo você tenta continuar fazendo igual, ou melhor. O problema é que às vezes “melhorar estraga”. Portanto, vá primeiro pelo mais simples, faça igual. Ou tente melhorar aos poucos, paulatinamente.
Faça planos também, pelo menos um. E, é lógico, cumpra. Ou tente fazer por onde cumprir. Tentar traçar o caminho pode ajudar, ou pelo menos pensar em como começar. Eu fiz meus planos, alguns. Por enquanto fiz os profissionais. Os pessoais são mais difíceis, tô pensando ainda. Mas tô fazendo...
Se possível, sonhe. Isso eu faço muito. Sou um sonhador. O sonho faz bem para qualquer pessoa e faz aquilo que é difícil parecer menos difícil. Isso, é claro, se você acredita no seu sonho. E não existe sonho impossível... O nome já diz tudo: “sonho”. E no sonho, tudo é possível. Acredite.
Entretanto, repito. Faça por onde. Sonhar por sonhar também não vai rolar.
2009 será o que você quiser que seja. E 2010 também, 2011, 2012, não importa... A vida não é tão exata assim. E nada é tão lógico assim. Por isso o principal é acreditar. Tenha fé em você. Acredite em você. Espere por você, e não pelos outros. Aceitar as pessoas sem tentar mudá-las. Eu sempre ouvi assim. Você sempre ouviu assim. É difícil pôr em prática. Não é? É. Vamos treinar. Vamos acreditar! Talvez a gente consiga um pouquinho, pelo menos.
E aí? Vamos tentar? Você tá disposto(a)?
Eu tô!
Só para terminar, uma coisa. Não sejamos egoístas. O mundo tá cheio de problemas. Pensemos coletivamente também. E ajamos coletivamente também. Viver sem pensar em mudar a realidade que nos cerca não vale a pena. Vale para todos. Um mundo melhor depende de todos nós. Temos também que acreditar que podemos fazer algo para melhorá-lo. Nem que seja para mudar as esquinas de nossas casas. Uní-vos!
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Quanto vale?
Estou angustiado! Sim, vou falar de Santa Catarina.

Para não ser mais do mesmo, porque tantas são as notícias que lemos e vemos nos jornais e na TV diariamente, que falar sobre o ocorrido não se faz necessário.
Quero falar de nós, daqui e de lá, de São Paulo e de Santa Catarina e de vários lugares espalhados por este Brasil, sem demagogia, maravilhoso.
Poderia escrever linhas e linhas tentando encontrar um culpado. Do Estado, que não foi capaz de prevenir a catástrofe (se é que era possível), mapear áreas de risco etc, dar atenção aos diques, que
podem ter provocado tudo isso; das empresas e de todos nós, que temos usado e abusado da natureza etc. Enfim, essa conversa ainda dá pano pra muitas mangas. Eu, neste momento, quero falar de outra coisa.
Não é papo furado. Quantas vezes já nos pusemos a pensar o que é e qual o sentido de ser solidário? É difícil demais a resposta. Antes que aconteça algo como o ocorrido em Santa Catarina e, mais recentemente, em Campos-RJ. E em Veneza, na Itália.
É incrível a mobilização dos brasileiros para ajudar a essas pessoas. E essa catástrofe nos faz pensar que não somos de nada, não valemos nada... Epa! Atenção!!! Nós valemos muito! Nós, pessoas! Vale muito o que somos, e não o que temos!
Sim, gostamos da nossa casa, do nosso sofá, do nosso quarto, da nossa cama etc. Não sei se me faço entender, mas quero olhar para a força e o valor do ser humano, das relações pessoais, da amizade, dos amigos, da família, dos irmãos. Das pessoas...
Recebi hoje um e-mail com um depoimento de um rapaz de Itajaí-SC. Leiam a seguir, o que me fez escrever o post de hoje:
Hoje 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta “folga forçada” a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.
As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que
aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.
Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:
- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros
- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.
- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.
- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.
- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.
- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.
- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.
- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.
- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.
- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.
- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.
- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.
- Aos Médicos Voluntários.
- Às enfermeiras Voluntárias.
- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.
- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.
- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.
- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.
- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.
- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.
- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.
- A todos que oraram por todos.
- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.
COMEÇAR DE NOVO
Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.
Anônimo
É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano.
Pelo menos é a minha hora, acredito.
Que Deus abençoe a todos.
L.F.G.”
É também hora de refletir, de rezar, o que seja... Arrumar uma forma de ajudar! Aos outros e/ou a nós mesmos! E a pensar o que fazer para levantar esse Brasil varonil, o que podemos fazer para fazer o país do futuro ser o país do presente. E um presente de paz, de oportunidades, empregos, sem fome, sem miséria...
O povo unido jamais será vencido!
Gostaria muito que essa mobilização seguisse adiante e se empenhasse em outras causas urgentes que também estão na pauta. Não podemos esquecer que, além disso, existe uma crise em andamento e que teremos que nos preparar. A luta é diária!
"Uni-vos!"
domingo, 16 de novembro de 2008
Política, Humor e Tumores
Uma história muito triste. Infelizmente, baseadas em fatos reais... relatadas pelo blogueiro Carlos E. Batista em seu blog "Política, humor e tumores", cujo link encontra-se ao lado, na seção Eu Recomendo.
É inaceitável que ainda hoje ocorram cenas de racismo como essas:
Há uma porção de coisas ruins acontecendo por toda parte
Por Carlos E. Batista
Alberto Milfonti viveu poucas primaveras, 23 ao todo. Fora a uma loja departamento com a namorada de 17 anos para comprar um colchão. Há pouco tempo os dois resolveram construir a vida juntos. A moça está grávida.
O segurança, desconfiado, pois o menino foi à loja de chinelo e bermuda, sacou a arma.
— Que foi? Você atirar em mim?
— Fala que duvida?
Com um tiro no rosto, o filho da moça perdeu o pai.
Alberto Milfonti era negro.
Andamos apressadamente pela Praça Pedro Lessa, perto da estação São Bento. Passo por lá todos os dias. Mendigos, vendedores ambulantes, um posto da polícia militar e muitos DVDs de pornografia... É sempre o que vejo.
Normalmente ignoro a existência de um banco, daqueles de praça mesmo, envolvendo um pequeno gramado.
Hoje, porém, sobre o banco estava um homem, cujo nome nunca saberei. Calça e sapatos surrados, blusa de lã listrada e um guarda chuva na mão esquerda. Em sua volta, dois policiais.
Um dos dois guardas estava com o braço cruzado dando ordens. O rapaz se recusava a obedecer. Além disso, enfrentava os dois.
Sem mais nem menos, o policial descruzou os braços e deu um tapa no rosto do homem. Inacreditavelmente ele reagiu e empurrou o PM.
Senti a indignação do “homem da lei” exalando por toda a praça, ele parecia bufar. Sacou a arma e logo em seguida a guardou. Tirou as algemas e prendeu um dos braços do homem, que continuava a resistir.
Ele dizia: — Você vai responder por isto, eu não fiz nada!
O homem que apanhou também é negro.