E olha que ideias não me faltam. “Relapsei” mesmo. Mas esse mundo anda meio maluco né? Correria danada. Falta de tempo. Relações muito frias. Estresse. Crise.
E por aí, de repente, algumas angústias se manifestam. E o povo se expressa, sempre. Uma hora dessas aí, estava eu a caminhar pela Av. Sumaré em São Paulo quando me deparo com isso:
E não foi a primeira vez. Deve ser a mesma pessoa. Só mudou o lado da rua.
Continua com a mesma preocupação. E coincidentemente no inverno. O mundo está mesmo frio assim é?
E tava assim. Frio. Poucas pessoas na rua. Carros. Um carro por pessoa. São Paulo. Trânsito. Caos.
Ecos do Ão Lenine Composição: Lenine e Carlos Rennó
Rebenta na Febem rebelião um vem com um refém e um facão a mãe aflita grita logo: não! e gruda as mãos na grade do portão aqui no caos total do cu do mundo cão tal a pobreza, tal a podridão que assim nosso destino e direção são um enigma, uma interrogação
Ecos do ão
e, se nos cabe apenas decepção, colapso, lapso, rapto, corrupção? e mais desgraça, mais degradação? concentração, má distribuição? então a nossa contribuição não é senão canção, consolação? não haverá então mais solução? não, não, não, não, não...
Ecos do ão
pra transcender a densa dimensão da mágoa imensa então, somente então passar além da dor da condição de inferno e céu nossa contradição nós temos que fazer com precisão entre projeto e sonho a distinção para sonhar enfim sem ilusão o sonho luminoso da razão
Ecos do ão
e se nos cabe só humilhação impossibilidade de ascensão um sentimento de desilusão e fantasias de compensação e é só ruina, tudo em construção e a vasta selva, só devastação não haverá então mais salvação? não, não, não, não, não...
Ecos do ão
porque não somos só intuição nem só pé-de-chinelo, pé no chão nós temos violência e perversão mas temos o talento e a invenção desejos de beleza em profusão ideias na cabeça, coração a singeleza e a sofisticação o choro, a bossa, o samba e o violão
Ecos do ão
mas, se nós temos planos, e eles são o fim da fome e da difamação por que não pô-los logo em ação? tal seja agora a inauguração da nova nossa civilização tão singular igual ao nosso ão e sejam belos, livres, luminosos os nossos sonhos de nação.
Parafraseando um ilustre professor da PUC-SP, queria fazer alguns trocadilhos para cutucar a mente de vocês para certas coisas que não fazem muito sentido nesse nosso país querido. Ao mesmo tempo em que o governo anuncia verbas para o PAC, novas medidas para o seguro-desemprego etc, ainda vemos essas aberrações:
Um dado, pessoal: Orçamento para educação em 2009 será de R$ 41, 5 bilhões.
Mais um dado, pessoal: O orçamento oficial para a candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016 prevê gastos da ordem de 29,5 bilhões.
Traduzindo: A candidatura do Rio às Olimpíadas equivalerá a 71% do que será gasto com EDUCAÇÃO!
Outro dado, pessoal: Esse valor (Rio-2016) é quase OITO vezes o que foi "investido" para tirar o projeto do Pan-2007 do papel. Quais os frutos colhidos pós-Pan?
Opinião do blog: Absurdo! Temos outras prioridades a serem resolvidas antes de pensar em se candidatar a um evento dessa magnitude. Sediar então, tá longe...
Entretanto, depois do processo de escolha do Brasil para sediar a Copa-2014, com o senhor presidente da CBF, sendo bajulado pelas nossas autoridades, que dizer?
Esporte e educação estão longe de serem aliados no Brasil, o que já é uma triste constatação. E os dois tem sérios problemas a serem resolvidos antes de se pensar em Copas, Olimpíadas etc no país. Principalmente a educação... prioritariamente a Educação Básica. A porta é pela infância! Mas isso é tema pra outro post...
O que falta? Falta prioridade. E o principal: coerência!
Depois de um mês sem escrever, resolvi dar as caras. Chega de pensar. Tava na hora de "falar" para vocês que diabos eu tava pensando tanto... Pois é. A vida às vezes te coloca em circunstâncias que te obrigam a parar pra pensar o que você quer dela. E o que você tá fazendo com ela... E eu parei pra pensar.
E o Ano Novo chegou. E agora é a melhor hora de falar todas aquelas coisas que a gente fala todo começo de ano.
É. Exato. Isso mesmo. Só que na maioria das vezes fica só nisso, nas palavras. E não é essa a intenção de ninguém. Ou é? Eu acho que não. Na verdade, o ano será aquilo que você (e eu) tiver disposição para que seja. O problema é que a gente só pára para pensar no final do ano que se foi e no começo do ano que chega. A gente, porque eu também faço isso. A vida é corrida, falta tempo etc. Será? É, os textos que a gente lê dão a impressão de que o autor é a pessoa mais perfeita do mundo, não é? Haha, o cara fala tantas coisas legais que a gente sonha em ser ele um dia! Esse ano eu pensei na minha vida. É, foi agora, no final do ano, hehe. Mas pensei. E pensei no que deu de errado. E no que deu certo. Pensa também. Você vai ver que não deu só errado. Sempre dá alguma coisa certo. E aí? Faz o que depois? O que deu errado, você absorve e vê o que você pode fazer para não fazer igual da próxima vez, isto é, para não errar de novo. O erro serve para isso. Para te ensinar o que não deu para aprender antes de errar. Se você vai errar de novo? Vai. Você não é perfeito. Ninguém é. Mas erra menos. Ou erra de outro jeito, né? Errar igualzinho não vai rolar... Caiu? Levanta! Sujou? Machucou? Limpa, faz um curativo... Uma hora sara. Às vezes fica cicatriz, pra você lembrar e para te ensinar a fazer diferente da outra vez. Depois de tudo isso tenha certeza que você será uma pessoa melhor, mais experiente, mais vivida etc. O que você quiser que seja. E o que deu certo? O que deu certo você tenta continuar fazendo igual, ou melhor. O problema é que às vezes “melhorar estraga”. Portanto, vá primeiro pelo mais simples, faça igual. Ou tente melhorar aos poucos, paulatinamente. Faça planos também, pelo menos um. E, é lógico, cumpra. Ou tente fazer por onde cumprir. Tentar traçar o caminho pode ajudar, ou pelo menos pensar em como começar. Eu fiz meus planos, alguns. Por enquanto fiz os profissionais. Os pessoais são mais difíceis, tô pensando ainda. Mas tô fazendo... Se possível, sonhe. Isso eu faço muito. Sou um sonhador. O sonho faz bem para qualquer pessoa e faz aquilo que é difícil parecer menos difícil. Isso, é claro, se você acredita no seu sonho. E não existe sonho impossível... O nome já diz tudo: “sonho”. E no sonho, tudo é possível. Acredite. Entretanto, repito. Faça por onde. Sonhar por sonhar também não vai rolar.
2009 será o que você quiser que seja. E 2010 também, 2011, 2012, não importa... A vida não é tão exata assim. E nada é tão lógico assim. Por isso o principal é acreditar. Tenha fé em você. Acredite em você. Espere por você, e não pelos outros. Aceitar as pessoas sem tentar mudá-las. Eu sempre ouvi assim. Você sempre ouviu assim. É difícil pôr em prática. Não é? É. Vamos treinar. Vamos acreditar! Talvez a gente consiga um pouquinho, pelo menos.
E, importantíssimo: não queira ser perfeito. Você não é. Eu não sou. Ninguém é. A vida não tem receita...
Pô, se eu conseguir fazer tudo o que eu tô escrevendo aqui, serei uma pessoa muito bacana. Mas, se eu e você agirmos assim, nossa...
E aí? Vamos tentar? Você tá disposto(a)? Eu tô!
Só para terminar, uma coisa. Não sejamos egoístas. O mundo tá cheio de problemas. Pensemos coletivamente também. E ajamos coletivamente também. Viver sem pensar em mudar a realidade que nos cerca não vale a pena. Vale para todos. Um mundo melhor depende de todos nós. Temos também que acreditar que podemos fazer algo para melhorá-lo. Nem que seja para mudar as esquinas de nossas casas. Uní-vos!
Depois de duas semanas de ausência, voltei. E o post é longo. Preparem-se!
Estou angustiado! Sim, vou falar de Santa Catarina.
Para não ser mais do mesmo, porque tantas são as notícias que lemos e vemos nos jornais e na TV diariamente, que falar sobre o ocorrido não se faz necessário.
Quero falar de nós, daqui e de lá, de São Paulo e de Santa Catarina e de vários lugares espalhados por este Brasil, sem demagogia, maravilhoso.
Poderia escrever linhas e linhas tentando encontrar um culpado. Do Estado, que não foi capaz de prevenir a catástrofe (se é que era possível), mapear áreas de risco etc, dar atenção aos diques, que podem ter provocado tudo isso; das empresas e de todos nós, que temos usado e abusado da natureza etc. Enfim, essa conversa ainda dá pano pra muitas mangas. Eu, neste momento, quero falar de outra coisa. Não é papo furado. Quantas vezes já nos pusemos a pensar o que é e qual o sentido de ser solidário? É difícil demais a resposta. Antes que aconteça algo como o ocorrido em Santa Catarina e, mais recentemente, em Campos-RJ. E em Veneza, na Itália. É incrível a mobilização dos brasileiros para ajudar a essas pessoas. E essa catástrofe nos faz pensar que não somos de nada, não valemos nada... Epa! Atenção!!! Nós valemos muito! Nós, pessoas! Vale muito o que somos, e não o que temos! Sim, gostamos da nossa casa, do nosso sofá, do nosso quarto, da nossa cama etc. Não sei se me faço entender, mas quero olhar para a força e o valor do ser humano, das relações pessoais, da amizade, dos amigos, da família, dos irmãos. Das pessoas...
Recebi hoje um e-mail com um depoimento de um rapaz de Itajaí-SC. Leiam a seguir, o que me fez escrever o post de hoje:
“Meus amigos,
Hoje 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta “folga forçada” a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí. As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas. Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos. Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:
- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros - Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma. - Que pediam 5 reais por um litro de água mineral. - Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás. - Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas. - Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas. - Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava. - Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas. - Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração. - Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.
Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:
- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma. - Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver. - A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença. - À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida. - Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul. - Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos. - Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos. - Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas. - Aos Médicos Voluntários. - Às enfermeiras Voluntárias. - Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos. - Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso. - Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar. - Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade. - Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa. - Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem. - Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos. - Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem. - A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa. - A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou. - A todos que oraram por todos. - Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas. - Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira. - A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente. - A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém. - A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.
Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:
COMEÇAR DE NOVO
Eu tinha medo da escuridão Até que as noites se fizeram longas e sem luz Eu não resistia ao frio facilmente Até passar a noite molhado numa laje Eu tinha medo dos mortos Até ter que dormir num cemitério Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires Até que me deram abrigo e alimento Eu tinha aversão a Judeus Até darem remédios aos meus filhos Eu adorava exibir a minha nova jaqueta Até dar ela a um garoto com hipotermia Eu escolhia cuidadosamente a minha comida Até que tive fome Eu desconfiava da pele escura Até que um braço forte me tirou da água Eu achava que tinha visto muita coisa Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas Eu não gostava do cachorro do meu vizinho Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar Eu não lembrava os idosos Até participar dos resgates Eu não sabia cozinhar Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras Até ver todas cobertas pelas águas Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome Até a gente se tornar todos seres anônimos Eu não ouvia rádio Até ser ela que manteve a minha energia Eu criticava a bagunça dos estudantes Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos Agora nem tanto Eu vivia numa comunidade com uma classe política Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora Eu não lembrava o nome de todos os estados Agora guardo cada um no coração Eu não tinha boa memória Talvez por isso eu não lembre de todo mundo Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos Eu não te conhecia Agora você é meu irmão Tínhamos um rio Agora somos parte dele É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio Graças a Deus Vamos começar de novo.
Anônimo
É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano.
Pelo menos é a minha hora, acredito. Que Deus abençoe a todos.
L.F.G.”
É também hora de refletir, de rezar, o que seja... Arrumar uma forma de ajudar! Aos outros e/ou a nós mesmos! E a pensar o que fazer para levantar esse Brasil varonil, o que podemos fazer para fazer o país do futuro ser o país do presente. E um presente de paz, de oportunidades, empregos, sem fome, sem miséria...
O povo unido jamais será vencido!
Gostaria muito que essa mobilização seguisse adiante e se empenhasse em outras causas urgentes que também estão na pauta. Não podemos esquecer que, além disso, existe uma crise em andamento e que teremos que nos preparar. A luta é diária!
30 anos, é técnico do DIEESE, mestre em Economia Política e bacharel em Ciências Econômicas pela PUC-SP.
Um sonhador que se incomoda com os problemas do mundo e por isso acredita que Brecht estava certo quando disse que "nada é impossível de mudar".